O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é resultado de décadas de mobilização, coragem e luta das mulheres por direitos civis, políticos, trabalhistas e sociais. 
A data não surgiu como uma data comemorativa, mas como um marco de resistência e reivindicação por igualdade e justiça.
 
As origens: luta por dignidade e direitos

No final do século XIX e início do século XX, com a industrialização, milhares de mulheres passaram a trabalhar em fábricas, muitas vezes em condições precárias, com jornadas exaustivas, baixos salários e sem qualquer proteção trabalhista.

 

As mulheres começaram a se organizar em protestos e greves exigindo:
  • Redução da jornada de trabalho
  • Salários justos
  • Direito ao voto
  • Melhores condições de trabalho
  • Fim da exploração e da violência
1910: a proposta de um dia internacional
Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, a líder alemã Clara Zetkin propôs a criação de um dia internacional dedicado à luta das mulheres.
A proposta foi aprovada por mais de 100 mulheres de 17 países, com o objetivo de fortalecer a luta por direitos, especialmente o direito ao voto.
 
1917: o protesto que mudou a história
Em 8 de março de 1917, mulheres trabalhadoras saíram às ruas em Petrogrado, na Rússia, protestando contra a fome, a guerra e as condições de vida. Esse movimento ficou conhecido como “Pão e Paz”.
Esse protesto foi tão poderoso que contribuiu diretamente para a Revolução Russa e levou à conquista de direitos políticos para as mulheres russas, incluindo o direito ao voto.
Esse momento consolidou o 8 de março como símbolo mundial da luta feminina.
 
1975: reconhecimento internacional
Somente décadas depois, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu oficialmente a importância da data. 
Em 1975, durante o Ano Internacional da Mulher, a ONU passou a celebrar oficialmente o Dia Internacional da Mulher.
 
Em 1977, a Assembleia Geral recomendou que todos os países adotassem a data.
 
A história da luta das mulheres no Brasil

No Brasil, a luta das mulheres também tem uma trajetória longa e marcada por importantes conquistas sociais e políticas.
Ainda no início do século XX, mulheres brasileiras começaram a se organizar em movimentos sociais e associações para reivindicar direitos civis e políticos. Uma das principais bandeiras era o direito ao voto, conquistado em 1932 durante o governo de Getúlio Vargas, quando foi instituído o Código Eleitoral que garantiu às mulheres brasileiras o direito de votar e serem votadas.
Entre as pioneiras desse movimento destacou-se a bióloga e ativista Bertha Lutz, uma das principais lideranças do feminismo no país. Ela participou da fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e teve papel fundamental na defesa da igualdade de direitos entre homens e mulheres.

A partir das décadas de 1960 e 1970, novos movimentos feministas ganharam força no país, ampliando a luta para além do direito ao voto e defendendo pautas como:

  • igualdade no mercado de trabalho
  • combate à violência contra a mulher
  • direitos reprodutivos
  • participação política
  • igualdade salarial

Durante o processo de redemocratização do país, nos anos 1980, o movimento de mulheres teve participação ativa na elaboração da Constituição Federal de 1988, que consolidou diversos direitos e garantias fundamentais para a igualdade entre homens e mulheres.

Nas décadas seguintes, importantes avanços legais foram conquistados, como a Lei Maria da Penha, criada para combater e prevenir a violência doméstica, e a Lei do Feminicídio, que reconheceu o assassinato de mulheres por razões de gênero como crime hediondo.

Um símbolo de luta permanente
Ao longo do tempo, o 8 de março tornou-se um símbolo global de mobilização e reflexão. Mais do que uma data comemorativa, o Dia Internacional da Mulher representa a resistência histórica das mulheres na busca por justiça, respeito e igualdade.

No Brasil e no mundo, a data reforça a importância de enfrentar desafios que ainda persistem, como:

  • a violência de gênero
  • o feminicídio
  • a desigualdade salarial
  • a sub-representação política
  • o racismo e outras formas de discriminação

Celebrar o Dia Internacional da Mulher é reconhecer as conquistas obtidas, honrar a luta das mulheres que vieram antes e fortalecer o compromisso coletivo com uma sociedade mais justa, democrática e igualitária.

Atc,
Izaura Pimenta
Ana Cláudia Mota
ASCON/BSB – Associação dos Servidores do CNPq